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Lucas D. Camargos Médico · Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Rascunho — sem revisão por segundo radiologista

RM · Fígado

RM do fígado: contraste hepatoespecífico ou extracelular?

Situações genéricas, nunca um caso concreto.

A decisão em uma frase

O gadoxetato acrescenta uma fase em que o contraste entra no hepatócito. Isso responde perguntas que o gadolínio comum não responde — e atrapalha algumas que ele responderia melhor.

A pergunta que decide

A pergunta é sobre a função do fígado naquele nódulo, ou sobre o comportamento vascular dele?

As opções

Gadolínio extracelular (gadoterato, gadobutrol e afins)

Quando

  • Caracterização de lesão em fígado sem doença crônica
  • Avaliação vascular, quando a fase arterial precisa ser limpa
  • Estudo em que o realce dinâmico é o dado principal
  • Quando a pergunta não depende de função hepatocitária
Ganha
Fase arterial mais confiável e bolus melhor. Menor chance de artefato respiratório transitório na arterial.
Perde
Não distingue lesão com hepatócito funcionante de lesão sem ele.
Custo
Menor. Disponibilidade ampla.

Gadoxetato dissódico (hepatoespecífico)

Quando

  • Detecção de lesão pequena, principalmente metástase, antes de cirurgia hepática
  • Diferenciar lesões que dependem de função hepatocitária
  • Avaliação de via biliar e de fístula biliar, pela excreção
  • Casos em que a fase hepatobiliar de 20 minutos muda a conduta
Ganha
Uma fase a mais, cerca de 20 minutos após a injeção, em que o fígado normal realça e a lesão sem hepatócito funcionante fica escura. Cerca de metade da dose é captada pelo hepatócito.
Perde
Fase arterial menos robusta, com mais artefato transitório. Volume de bolus menor.
Custo
Maior, e o exame fica mais longo pela espera da fase tardia.

Onde costuma se perder

Com pergunta vascular, o hepatoespecífico troca uma vantagem por uma desvantagem: entra a fase tardia e sai qualidade na arterial, que era justamente onde a resposta estava.

Como pedir

RM de abdome superior com contraste hepatoespecífico — detecção de metástases hepáticas em pré-operatório de ressecção.

RM de abdome superior com contraste extracelular, protocolo dinâmico — caracterização de nódulo hepático em paciente sem hepatopatia.

Texto genérico. Não contém dado de paciente.

O que o serviço precisa saber

  • Existe hepatopatia crônica conhecida?
  • Há cirurgia hepática programada?
  • Função renal, se houver contraste
  • Exame anterior e método usado nele

Guia de protocolo, não de conduta. A escolha do exame depende do caso, e o caso é de quem assina o pedido. Adequação clínica não é cobertura.