Rascunho — sem revisão por segundo radiologista
RM · Fígado
RM do fígado: contraste hepatoespecífico ou extracelular?
Situações genéricas, nunca um caso concreto.
A decisão em uma frase
O gadoxetato acrescenta uma fase em que o contraste entra no hepatócito. Isso responde perguntas que o gadolínio comum não responde — e atrapalha algumas que ele responderia melhor.
A pergunta que decide
A pergunta é sobre a função do fígado naquele nódulo, ou sobre o comportamento vascular dele?
As opções
Gadolínio extracelular (gadoterato, gadobutrol e afins)
Quando
- Caracterização de lesão em fígado sem doença crônica
- Avaliação vascular, quando a fase arterial precisa ser limpa
- Estudo em que o realce dinâmico é o dado principal
- Quando a pergunta não depende de função hepatocitária
- Ganha
- Fase arterial mais confiável e bolus melhor. Menor chance de artefato respiratório transitório na arterial.
- Perde
- Não distingue lesão com hepatócito funcionante de lesão sem ele.
- Custo
- Menor. Disponibilidade ampla.
Gadoxetato dissódico (hepatoespecífico)
Quando
- Detecção de lesão pequena, principalmente metástase, antes de cirurgia hepática
- Diferenciar lesões que dependem de função hepatocitária
- Avaliação de via biliar e de fístula biliar, pela excreção
- Casos em que a fase hepatobiliar de 20 minutos muda a conduta
- Ganha
- Uma fase a mais, cerca de 20 minutos após a injeção, em que o fígado normal realça e a lesão sem hepatócito funcionante fica escura. Cerca de metade da dose é captada pelo hepatócito.
- Perde
- Fase arterial menos robusta, com mais artefato transitório. Volume de bolus menor.
- Custo
- Maior, e o exame fica mais longo pela espera da fase tardia.
Onde costuma se perder
Com pergunta vascular, o hepatoespecífico troca uma vantagem por uma desvantagem: entra a fase tardia e sai qualidade na arterial, que era justamente onde a resposta estava.
Como pedir
RM de abdome superior com contraste hepatoespecífico — detecção de metástases hepáticas em pré-operatório de ressecção.
RM de abdome superior com contraste extracelular, protocolo dinâmico — caracterização de nódulo hepático em paciente sem hepatopatia.
Texto genérico. Não contém dado de paciente.
O que o serviço precisa saber
- Existe hepatopatia crônica conhecida?
- Há cirurgia hepática programada?
- Função renal, se houver contraste
- Exame anterior e método usado nele
Guia de protocolo, não de conduta. A escolha do exame depende do caso, e o caso é de quem assina o pedido. Adequação clínica não é cobertura.